O ano acabou – And what have you done? – Refletindo sobre Desenvolvimento Profissional
Juliana Tavares

Há um meme muito engraçado circulando na Internet: uma pessoa escorregando em um tobogã loucamente e uma legenda que diz: 2016. Pergunte a qualquer pessoa como foi este ano e você terá a mesma reação: não foi um ano, foi um atropelamento.

Enfim, também é verdade que essa sensação que o ano passa muito rápido e de que não temos tempo para nada não é exclusivo de 2016. Tem mais a ver com a época em que vivemos, na qual espera-se tudo para ontem, um minuto virou 30 segundos e se não soubermos ser multitarefa, somos inúteis neste planeta.

Em nossa profissão, parece-me que a situação é ainda mais problemática. A maioria de nós trabalha em mais de uma escola e passa o ano tentando equilibrar aulas, reuniões, entrega de relatórios, planejamento, atividades diferentes para os alunos, tempo no trânsito entre uma escola e outra, festa de fim de ano, reuniões de pais... Ufa! Acabou?

Em meio a isso tudo, como podemos viver o dia a dia de nossas vidas pessoais e profissionais e ainda assim termos tempo para o tão importante desenvolvimento contínuo? Afinal, a ideia de encaixar um curso, workshop, palestra, ou congresso neste frenesi todo parece loucura, não é? Bem, mais ou menos. Parece muito, mas se não conseguimos planejar nosso desenvolvimento profissional, é como se estivéssemos deixando de nos abastecer intelectualmente. Os efeitos disso podem não ser imediatos, mas com certeza você vai senti-los futuramente em sua carreira.

Para começar, a primeira coisa que você precisa fazer é se perguntar sobre o que fez neste ano para o seu desenvolvimento profissional. Mesmo que a resposta não seja lá muito boa, ela servirá de ponto de partida para o próximo ano. O que passou, passou, mas ao menos pode nos ensinar lições para o futuro.

Quantos livros você leu na língua que ensina?

Pode parecer simples, mas a leitura na língua estrangeira (textos autênticos, literatura, artigos com alto nível de complexidade) é uma maneira muito eficaz de mantermos o contato com uma linguagem mais autêntica e desafiadora, aprendendo mais. Assim, o inglês que usamos na sala de aula não é a única maneira de mantermos nossa fluência e de adquirirmos novo vocabulário. Se você não leu nenhum livro, que tal prometer ler ao menos um no ano que vem? Aproveite as férias, vá a uma livraria legal, escolha o que gosta e se joga!

Quantos sites e portais novos você descobriu?

Uma coisa é certa: o melhor conteúdo online é encontrado quando menos esperamos, quando estamos há um bom tempo pesquisando algo e nos deparamos com aquele site para professores super legal, ou aquele aplicativo que seus alunos vão amar. Isso requer um tempo que, à primeira vista, parece estar sendo desperdiçado, mas na verdade está sendo investido. O que podemos encontrar nessas pesquisas que fazemos em nossos laptops, sentados despretensiosamente no sofá pode nos ajudar muito, mas é preciso criar esse hábito. Você pode não encontrar nada em um dia e muita coisa útil no outro.

De quantos workshops e webinars você participou?

Workshops presenciais são muitas vezes complicados de se participar, principalmente se você vive em uma cidade pequena. Mas você pode participar de webinars e palestras transmitidas online. Elas são uma forma interessante de se manter antenado sobre o que está acontecendo em sua área. Quanto aos congressos e conferências, com o planejamento adequado é possível organizar uma ida juntamente com outros colegas, para que os custos de viagem possam ser divididos. Outra vantagem de organizar um grupo para esses eventos é que depois é possível continuar a explorar, juntos, o que foi visto e aprendido.

Quantos cursos você quis fazer e não fez?

Se tomarmos como base a quantidade de intenções que nossos cursos online recebem e que acabam não se concretizando, eu diria que vontade não falta aos professores. Porém, na hora de realmente começar, diversas dúvidas surgem: será que vou conseguir dar conta? Será que vou ter tempo para me dedicar? Talvez as perguntas devem mudar um pouquinho. Por que não: quanto tempo vou poder me dedicar por semana? O que vou precisar fazer para conseguir dar conta? Mudando a linguagem, você vai pensar em soluções para fazer dar certo ao invés de pensar no que pode dar errado.

Como posso começar no ano que vem?

Se você acha que suas respostas para as perguntas acima foram desanimadoras, sugiro que você não se deixe abalar. Como já foi dito: águas passadas não movem moinhos, mas podem mover nossa vontade de fazer algo para quebrar o ciclo. Escolha o que realmente quer fazer, inclua seu e-mail nas listas de livrarias, portais e editoras para saber o que está acontecendo, crie um grupo de estudos com colegas que também querem se aperfeiçoar (mostre a eles este post!), comece uma ação concreta.

Faça sua lista de resoluções profissionais e invista em você mesmo. Você vai ver como vale a pena e vai ver também quanto tempo somos capazes de criar o tempo do qual precisamos.

Feliz ano novo!

LIVRO RECOMENDADO